
Se por um lado, sua condição física o deixava à margem de uma vida de glamour, por outro, enriqueceu seu universo, traduzido por suas inesquecíveis músicas. Sua carreira começou aos 18 anos, no grupo Tangarás. Ganhou fama com o lançamento do samba Com que Roupa, cuja inspiração pode ter nascido da própria realidade. Muito boêmio, certa vez a mãe escondeu suas roupas, a fim de evitar que o filho não passasse mais uma noite fora de casa. Naquele dia, seus amigos haviam convidado Noel para beber uma cerveja e cantar, encontros esses que quase sempre duravam toda a noite. A impossibilidade instigou a criatividade do poeta, que compôs a canção, gravada no Carnaval de 1931, vendendo 1.5 milhão de discos. Porém, o gosto pela boemia representou para o músico seu bem e seu mal, ao mesmo tempo. A saúde frágil, agravada por uma tuberculose, abreviou sua trajetória, vindo a falecer com apenas 26 anos
Sua obra foi marcada por geniais composições como Feitiço da Vila, Rapaz Folgado, Conversa de Botequim, Palpite Infeliz, As pastorinhas e tantas outras, mais de 300, cujo estilo era pontuado pelo bom humor e representava com fidelidade a alma boêmia do Rio de Janeiro. Noel foi responsável pela legitimação do samba do morro no asfalto, ao lado de grandes nomes, tais como Cartola, Lamartine Babo e Ary Barroso, e influenciou figuras como Chico Buarque, Paulinho da Viola e outros importantes nomes da MPB. Um de seus temas favoritos era o bairro onde nasceu que atualmente tem a gravação de partituras de suas músicas nas calçadas de pedras portuguesas, e esculturas, como sua estátua na entrada do bairro.
Site: Brasilia confidencial
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