quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

100 anos de Noel


Noel Rosa veio ao mundo com uma marca na alma, materializada no corpo. Por conta de um parto difícil, uma deformação no queixo iria acompanhá-lo por toda a sua breve vida, causando-lhe sérios problemas psicológicos. Foi em 11 de dezembro de 1910, que chegou ao mundo, em Vila Isabel, subúrbio carioca – bairro boêmio da cidade, berço de grandes sambistas – um dos maiores artistas do país. Seu centenário faz matar a saudade do “Poeta da Vila”, patrimônio cultural do Brasil.

Se por um lado, sua condição física o deixava à margem de uma vida de glamour, por outro, enriqueceu seu universo, traduzido por suas inesquecíveis músicas. Sua carreira começou aos 18 anos, no grupo Tangarás. Ganhou fama com o lançamento do samba Com que Roupa, cuja inspiração pode ter nascido da própria realidade. Muito boêmio, certa vez a mãe escondeu suas roupas, a fim de evitar que o filho não passasse mais uma noite fora de casa. Naquele dia, seus amigos haviam convidado Noel para beber uma cerveja e cantar, encontros esses que quase sempre duravam toda a noite. A impossibilidade instigou a criatividade do poeta, que compôs a canção, gravada no Carnaval de 1931, vendendo 1.5 milhão de discos. Porém, o gosto pela boemia representou para o músico seu bem e seu mal, ao mesmo tempo. A saúde frágil, agravada por uma tuberculose, abreviou sua trajetória, vindo a falecer com apenas 26 anos

Sua obra foi marcada por geniais composições como Feitiço da Vila, Rapaz Folgado, Conversa de Botequim, Palpite Infeliz, As pastorinhas e tantas outras, mais de 300, cujo estilo era pontuado pelo bom humor e representava com fidelidade a alma boêmia do Rio de Janeiro. Noel foi responsável pela legitimação do samba do morro no asfalto, ao lado de grandes nomes, tais como Cartola, Lamartine Babo e Ary Barroso, e influenciou figuras como Chico Buarque, Paulinho da Viola e outros importantes nomes da MPB. Um de seus temas favoritos era o bairro onde nasceu que atualmente tem a gravação de partituras de suas músicas nas calçadas de pedras portuguesas, e esculturas, como sua estátua na entrada do bairro.

Por Solange Bagdadi
Site: Brasilia confidencial


0 comentários: